Amigos do Hospital

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PROJECTO AMIGOS DO HOSPITAL

O projecto Amigos pode dizer-se que começou há uns anos atrás.
Estava eu de férias em pleno mês de Agosto, quando me veio parar às mãos um artigo onde se
falava numa iniciativa dos estudantes de Medicina, Farmácia e Enfermagem, que anunciavam a
promoção de uma actividade no Hospital Dª. Estefânia para que crianças de jardim de infância
pudessem levar os “filhos” (bonecos) ao médico e que dava pelo nome de “Hospital da Bonecada”.

Achei a ideia excepcional e em Setembro comecei a tentar ligar para me inscrever com os meus
alunos na dita visita. Apesar das múltiplas tentativas não consegui, o que me deixou triste. Até que
no ano passado veio parar à minha turma um aluno, cuja mãe trabalha no hospital Dª. Estefânia.
Claro que aproveitei logo para me lamentar. Graças a esta mãe, que me conseguiu os telefones
certos, lá fiz a marcação e em Janeiro de 2008, fomos todos na carrinha da escola e cada um
levou o seu filho (desde nenucos, bonecas, action men, havia de tudo).

Foi fantástico, passámos pela sala da triagem, pelos consultórios, pela farmácia, fomos à sala de
tratamentos e até tivemos oportunidade de assistir à operação da “boneca Ronalda”. Ainda
trouxemos receitas e raios X, pois alguns precisaram para o seu tratamento. O balanço foi para
além das minhas expectativas, realmente uma iniciativa muito positiva.

De regresso à escola e partilhando com os pais os comentários e fotos da visita, fiquei a saber
que três dos meus alunos iam ser sujeitos a pequenas /médias cirurgias. Dei graças aos céus por
termos tido esta visita antes, que ajudou e muito a desmistificar o medo dos médicos e
enfermeiras, dos hospitais e das batas brancas. Mas a ideia ficou a roer-me. E enquanto estão
internados? O que fazer? Como ajudar a passar o tempo? Como alegrar quem tem que lá estar e
não pode sair?

Pedi novamente ajuda aquela mãe para me pôr em contacto com a educadora responsável do
Hospital D. Estefânia, o que aconteceu prontamente. Expliquei que apesar de ter um grupo de
crianças pequenas (3 anos), três delas iriam ser operadas e que gostaria que os meus alunos
fossem amigos dos meninos que estão e passam pelo hospital. A ideia foi bem aceite. Para
começar fizemos um trabalho plástico com as nossas mãos pintadas em papel (uma por cada
aluno) e uma grande mão onde por escrito fizemos a apresentação da escola e do grupo e ao
mesmo tempo pedíamos se queriam ser nossos amigos.

Os amigos do hospital agradeceram e, por sugestão da educadora, por que não uma visita a esses
amigos? Claro que aceitámos. As condições eram que só poderíamos fazer a visita no Auditório do
Hospital (para não transmitirmos “micróbios” a quem já não está muito bem), ser apenas às 11h,
uma vez que os médicos só acabam a visita à enfermaria depois dessa hora, e que só viria ao
auditório quem estivesse “em condições”, ou seja nunca sabemos o número de amigos que vamos
encontrar. E as idades vão dos zero aos dezoito anos.

Expliquei tudo isto aos meus alunos, alertando também para o facto de poder haver amigos em
cadeiras de rodas, amigos com braços, cabeças ou pernas partidas (como eles tinham visto na
visita ao Hospital da Bonecada) e que se não houvesse amigos suficientes para entregarmos a
nossa “surpresa”, entregaríamos às educadoras para que depois elas levassem para cima, para as
enfermarias e dessem aos meninos que não tinham podido descer.
Começámos o trabalho, ou seja, ensaiámos canções e pequenas coreografias e como a visita ficou
agendada para perto do dia da criança, combinámos fazer coroas em papel canelado, pintámos e
enfeitámos.

Foi um sucesso, não só não se assustaram, como gostaram de ter ido e de no final terem oferecido
as suas coroas de reis da festa e para grande surpresa, receberam em troca meninos e meninas
feitos em espátulas de ver as gargantas. Daí a dias íamos ter na nossa escola a nossa festa final e
ficou decidido que no ano lectivo seguinte, voltaríamos ao hospital para mostrarmos o nosso
número.

Continuamos todos os meses a fazer uma surpresa e a enviar para os nossos amigos do hospital e
sabemos que nesse dia, o tempo corre mais depressa para quem lá está e também mais divertido.
Na reunião inicial deste ano lectivo (2008/2009), expliquei este projecto aos pais das crianças que
entraram de novo e que aderiram de imediato. A data combinada para o nosso espectáculo, foi o
mês de Dezembro e surgiu a ideia de, para além da surpresa que enviamos todos os meses, cada
criança oferecer um presente de “x” valor e divididos por idades. Por sugestão da educadora
responsável jogos, livros e materiais de pintura. A festa foi um sucesso, até os pais puderam ir
assistir.

Mas eu comecei a desejar mais, a pedir mais. Pedi a um pai de duas antigas alunas se o grupo de
pessoas que na empresa dele todos os anos ensaiam uma peça de teatro para os filhos dos
empregados e que depois de tanto trabalho de ensaios, música, adereços, só fazem uma
actuação, não se importariam de o fazer para nós e para os nossos amigos do hospital. E mais
uma vez a resposta foi positiva. E no dia 16 de Fevereiro passado, lá fomos nós para o auditório do
hospital e juntamente com os nossos amigos pudemos assistir a uma peça super engraçada e de
cariz ecológico. Mais uma vez todos ficámos a ganhar, nós, os nossos amigos e os elementos do
grupo de teatro. Gostaram tanto da experiência que já ficou prometido que lá vão voltar com todas
as novas peças que fizerem.
Desde já o obrigada dos amigos do hospital, dos amigos da sala dos 4 anos do Colégio de
Alfragide e o meu.

Educadora Ana Dominguez

PROJECTO AMIGOS do HOSPITAL (Artigo publicado na Universidade Lusófona)

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Blogue da sala da Educadora Ana Dominguez